O PRANTO DE MARIA PARDA
de Gil Vicente
pel' A Barraca

encenação e interpretação Maria do Céu Guerra
dia 07 de Junho 22 horas Auditório Municipal da Póvoa de Varzim
- Espectáculo para M/6 Anos -
O Pranto de Maria Parda.
Fundamentalmente o itinerário de uma privação.
Privação dolorosa, insustentável. Privação que impõe a figuração da Morte.
E aqui vem Mário de Sá Carneiro.
Da falta á irrisão. À ascese.
Maria Parda no barco de Dionísio, à volta do mundo, do vinho e do teatro.
Com Caronte e Rimbaud.
Maria do Céu Guerra
Ficha Técnica e Artística
Texto: Gil Vicente | Encenação: Maria do Céu Guerra | Elenco: Maria do Céu Guerra | Adereços: Vitor Sá Machado | Luz: Manuel Mendonça
Padecia neste tempo o reino de Portugal calamitoso aperto de fome. Porque, quanto mais corria o ano de 22, em que vamos, tanto maior era o trabalho.
Crescia a falta, gastando e comendo o povo esse pouco pão que havia.
Castela não podia ajudar, porque a esterilidade no ano de 21 fora igual nela.
De França não vinha nada, respeito das guerras que trazia o imperador.
Os pobres do reino acudiam todos a Lisboa arrastando consigo as suas tristes famílias, persuadidas da força da necessidade que poderiam achar remédio onde estavam o rei e os grandes. Mas aconteciam casos lastimosos. Muitos caíam e ficavam mortos e sem sepultura pelos caminhos, de fracos e desalentados.
Os que chegavam a Lisboa pareciam desenterrados, pálidos nos sembrantes, débiles e sem força nos membros. Dinheiro não aceitavam de esmola, porque não achavam que comprar com ele. Só pão queriam; e este não havia quem o desse.
Porque algum que às escondidas se vendia, era a quatrocentos e cinquenta réis o alqueire; o centeo a duzentos réis,; o milho a cento e cincoenta, que para aquele tempo era como um prodígio.
Frei Luis de Sousa, Anais de D. João III, com prefácio do Prof. M. Rodrigues Lapa, Lisboa, 1938, pp. 64-65
CRÍTICAS:
* Que me recorde, vi este monólogo interpretado por Aura Abranches, Palmira Bastos, etc. e sempre saí lamentando que um texto tão interessante resultasse tão chato. Pois com a Maria do Céu Guerra, de tal modo a recriação é feita por dentro de tudo aquilo que diz, ainda a esta hora eu podia estar lá, a vê-la que, tenho a certeza, não estaria chateado. Tá dito.
Victor Pavão dos Santos
in O Jornal
* (...) O seu monólogo é como um delírio que culmina na cerimónia do testamento, louco, grandiloquente, com a mania das grandezas que só a demência pode conceber. Mas a linguagem é dos nossos dias, e dos nossos dias são os provérbios proferidos e os ditos libertinos do texto.
Através de Maria Parda ouve-se um coro de outros bêbados. Que reflectem os males de uma cidade assediada pela fome e pela sede:
" Eu só quero prantear
Este mal que a muitos toca..."
Maria Parda não pode ter outro fundo que Lisboa, a Lisboa da Ribeira e de Alfama, a Lisboa da Rua do Cata-que-farás, da Mouraria, da Praça dos Canos e da capelinha do Espírito Santo.
Um mundo que se debruça no fabuloso estuário do Tejo ? com a Ribeira à direita e à esquerda Almada, Barreiro e Alcochete. Um mundo que se confina por terra na Arruda dos Vinhos, Abrantes e Atouguia, nas "costas" de Lisboa e que tem "na outra banda" o "glorioso Seixal, senhor de outros Seixais". Um mundo que reza às Santas da Atouguia e da Abrigada.
Um pequeno mundo para quem trabalha todo um império, mesmo em períodos de carestia, um mundo que ainda manda, mas às custas de "Entre Douro e Minho" e que não reconhece cidadania aos habitantes de outros "planetas"(...).
Luciana Stegagno Picchio
Bilheteira uma hora antes no local do espectáculo
Bilhetes inteiros: 5 euros
Descontos para estudantes, menores de 25 anos, maiores de 65 anos, reformados, desempregados, portadores de deficiência, e grupos de + de 8 pessoas: 3,75 euros
Sócios do Varazim Teatro: 2,50 euros
Informações e reservas : 916439009, 912420129 ou varazim@sapo.pt (até às 17h do Sábado do espectáculo)